Riscos Químicos no Ambiente de Trabalho

O ambiente de trabalho, em regra, expõe o trabalhador a diversos riscos, seja físico, químico, ou biológico.

Os riscos químicos exigem controle efetivo, pois seus efeitos podem ser potencialmente perigosos, causando desde uma irritação na pele até asfixia e morte.

O que são riscos químicos?

Os riscos químicos são as substâncias ou produtos que podem penetrar no organismo pela via respiratória, absorção pela pele ou por ingestão, nas formas de poeiras, fumos, névoas, neblinas, gases, etc. O efeito tóxico pode ser agudo, crônico ou ambos.

Quais são os tipos de riscos químicos?

Os riscos químicos classificam-se segundo suas características físico-químicas. Comumente estão na forma de aerossóis (são formados por dispersão resultante da atomização de sólidos ou líquidos ou da suspensão de poeiras e pólens).

Os principais aerossóis são:

  • Fumos: partículas sólidas com diâmetro inferior a 10μm, chegando a 1μm. São resultantes da condensação de partículas volatilizadas de metais fundidos;
  • Poeiras: partículas sólidas com diâmetro até 100 μm, resultantes da desintegração mecânica de substâncias.
  • Fumaças: resultantes da combustão incompleta de materiais orgânicos;
  • Névoas: gotículas líquidas com diâmetro entre 0,1 e 100 μm, resultantes da condensação de vapores ou da dispersão mecânica de líquidos;
  • Gases e vapores: o gás é uma substância que pode passar ao estado líquido ou sólido por efeito combinado de aumento de pressão e/ou diminuição da temperatura. O vapor é o gás de uma substância que é líquida em condições normais de temperatura e pressão.
  • Fuligem: partículas muito finas de produtos da queima de combustíveis minerais em caldeiras e fornalhas.

Exemplos de riscos químicos no ambiente de trabalho

Exemplos de riscos químicos no ambiente de trabalho

Alguns exemplos de riscos químicos são:

  • Os ácidos concentrados: causam corrosão, destruindo os tecidos que com os quais entra em contato;
  • Solventes, óleos, amônia: causam irritação e inflamação da pele e nas vias respiratórias;
  • Gases como metano, etano, hidrogênio e hélio: são asfixiantes;
  • Benzeno: substância cancerígena;
  • Poeira mineral, poeira dos processos de britagem e moagem;
  • Monóxido de carbono, gás de cozinha;
  • Agrotóxicos.

⇒ Leia também: DDS FISPQ.

Doenças ocupacionais causadas por riscos químicos

Quando há exposição aos riscos químicos sem proteção adequada ou em níveis acima dos limites de tolerância estabelecidos, pode desencadear doenças como:

  • Câncer;
  • Doenças respiratórias, como a asbestose, asma, pneumoconiose;
  • Anemias;
  • Queimaduras;
  • Ulcerações cutâneas.

Como são classificados os riscos químicos?

Ao manusear produtos químicos, a primeira providência é ler as instruções do rótulo, no recipiente ou na embalagem, observando a classificação quanto ao risco à saúde (R) que ele oferece e às medidas de segurança para o trabalho (S).

O significado dos códigos referentes às colunas (Risco e Medidas de Segurança) estão no final dos quadros.

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riscos químicos exemplo

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Códigos de Risco – Normas “R”

  • 1. Risco de explosão em estado seco;
  • 2. Risco de explosão por choque, fricção ou outras fontes de ignição;
  • 3. Grave risco de explosão por choque, fricção ou outras fontes de ignição;
  • 4. Forma compostos metálicos explosivos;
  • 5. Perigo de explosão pela ação do calor;
  • 6. Perigo de explosão com ou sem contato com o ar;
  • 7. Pode provocar incêndios;
  • 8. Perigo de fogo em contato com substâncias combustíveis;
  • 9. Perigo de explosão em contato com substâncias combustíveis;
  • 10. Inflamável;
  • 11. Muito inflamável;
  • 12. Extremamente inflamável;
  • 13. Gás extremamente inflamável;
  • 14. Reage violentamente com a água;
  • 15. Reage com água produzindo gases muito inflamáveis;
  • 16. Risco de explosão em mistura com substâncias oxidantes;
  • 17. Inflama-se espontaneamente ao ar;
  • 18. Pode formar misturas vapor-ar explosivas;
  • 19. Pode formar peróxidos explosivos;
  • 20. Nocivo por inalação;
  • 21. Nocivo em contato com a pele;
  • 22. Nocivo por ingestão;
  • 23. Tóxico por inalação;
  • 24. Tóxico em contato com a pele;
  • 25. Tóxico por ingestão;
  • 26. Muito tóxico por inalação;
  • 27. Muito tóxico em contato com a pele;
  • 28. Muito tóxico por ingestão;
  • 29. Libera gases tóxicos em contato com a água;
  • 30. Pode inflamar-se durante o uso;
  • 31. Libera gases tóxicos em contato com ácidos;
  • 32. Libera gases muito tóxicos em contato com ácidos;
  • 33. Perigo de efeitos acumulativos;
  • 34. Provoca queimaduras;
  • 35. Provoca graves queimaduras;
  • 36. Irrita os olhos;
  • 37. Irrita o sistema respiratório;
  • 38. Irrita a pele;
  • 39. Risco de efeitos irreversíveis;
  • 40. Probabilidade de efeitos irreversíveis;
  • 41. Risco de grave lesão aos olhos;
  • 42. Probabilidade de sensibilização por inalação;
  • 43. Probabilidade de sensibilização por contato com a pele;
  • 44. Risco de explosão por aquecimento em ambiente fechado;
  • 45. Pode provocar câncer;
  • 46. Pode provocar dano genético hereditário;
  • 47. Pode provocar efeitos teratogênicos;
  • 48. Risco de sério dano à saúde por exposição prolongada.

Códigos de medidas de segurança – Normas “S”

  • 1. Manter fechado;
  • 2. Manter fora do alcance das crianças;
  • 3. Manter em local fresco;
  • 4. Guardar fora de locais habitados;
  • 5. Manter em …(líquido inerte especificado pelo fabricante);
  • 6. Manter em …(gás inerte especificado pelo fabricante);
  • 7. Manter o recipiente bem fechado;
  • 8. Manter o recipiente em local seco;
  • 9. Manter o recipiente em local ventilado;
  • 10. Manter o produto em estado úmido;
  • 11. Evitar o contato com o ar;
  • 12. Não fechar hermeticamente o recipiente;
  • 13. Manter afastado de alimentos;
  • 14. Manter afastado de …(substâncias incompatíveis);
  • 15. Manter afastado do calor;
  • 16. Manter afastado de fontes de ignição;
  • 17. Manter afastado de materiais combustíveis;
  • 18. Manipular o recipiente com cuidado;
  • 19. Não comer nem beber durante a manipulação;
  • 20. Evitar contato com alimentos;
  • 21. Não fumar durante a manipulação;
  • 22. Evitar respirar o pó;
  • 23. Evitar respirar os vapores;
  • 24. Evitar o contato com a pele;
  • 25. Evitar o contato com os olhos;
  • 26. Em caso de contato com os olhos, lavar com bastante água;
  • 27. Tirar imediatamente a roupa contaminada;
  • 28. Em caso de contato com a pele, lavar com …(especificado pelo fabricante);
  • 29. Não descartar resíduos na pia;
  • 30. Nunca verter água sobre o produto;
  • 31. Manter afastado de materiais explosivos;
  • 32. Manter afastado de ácidos e não descartar na pia;
  • 33. Evitar a acumulação de cargas eletrostáticas;
  • 34. Evitar choque e fricção;
  • 35. Tomar cuidados para o descarte;
  • 36. Usar roupa de proteção durante a manipulação;
  • 37. Usar luvas de proteção apropriadas;
  • 38. Usar equipamento de respiração adequado;
  • 39. Proteger os olhos e rosto;
  • 40. Limpar corretamente os pisos e objetos contaminados;
  • 41. Em caso de incêndio ou explosão, não respirar os fumos;
  • 42. Usar equipamento de respiração adequado (fumigações);
  • 43. Usar o extintor correto em caso de incêndio;
  • 44. Em caso de mal-estar, procurar um médico;
  • 45. Em caso de acidente, procurar um médico;
  • 46. Em caso de ingestão, procurar imediatamente um médico, levando o rótulo do frasco ou o conteúdo;
  • 47. Não ultrapassar a temperatura especificada;
  • 48. Manter úmido com o produto especificado pelo fabricante;
  • 49. Não passar para outro frasco;
  • 50. Não misturar com …(especificado pelo fabricante);
  • 51. Usar em áreas ventiladas;
  • 52. Não recomendável para uso interior em áreas de grande superfície.

Como identificar os riscos químicos no ambiente de trabalho

A identificação dos riscos químicos é uma etapa essencial na gestão de saúde e segurança ocupacional, bem como o planejamento adequado, o controle, as estratégias e o estabelecimento de prioridades de ação. Também é importante identificar as fontes de riscos e as rotas de propagação. Nomeia-se os agentes que podem estar presentes e as respectivas circunstâncias e a natureza e magnitude potencial dos efeitos adversos à saúde e ao bem-estar.

Assim, na identificação dos riscos químicos deve ser feito um estudo minucioso dos processos e operações de trabalho, das matérias-primas, das substâncias químicas utilizadas ou geradas, dos produtos finais e subprodutos possíveis, bem como da eventual formação acidental de substâncias químicas, da decomposição de materiais, da queima de combustíveis ou da presença de impurezas.

Em síntese, a identificação dos riscos pode ser dividido em:

I. Caracterização do local de trabalho;
II. Descrição do padrão de exposição; e
III. Análise e Avaliação de riscos.

⇒ Leia também: Riscos Biológicos no Ambiente de Trabalho.

O que diz a nova NR-9 sobre os agentes químicos?

A nova NR-9 dispõe os requisitos para a avaliação das exposições ocupacionais a agentes físicos, químicos e biológicos quando identificados no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), previsto na NR-1, e subsidiá-lo quanto às medidas de prevenção para os riscos ocupacionais.

Dessa forma, as medidas de prevenção estabelecidas pela NR-9 se aplicam onde houver exposições ocupacionais aos agentes físicos, químicos e biológicos.

Porém, a nova NR-9 destaca que para fins de caracterização de atividades ou operações insalubres ou perigosas, devem ser aplicadas as disposições previstas na NR-15 (Atividades e operações insalubres) e NR-16 (Atividades e operações perigosas).

Os agentes químicos na NR-15

Os agentes químicos na Norma Regulamentadora nº 15 (NR-15) são avaliados de forma qualitativa e quantitativa, conforme os anexos abaixo:

Anexos 11 – Agentes químicos cuja insalubridade é caracterizada por limite de tolerância e inspeção no local de trabalho

Neste caso, a avaliação será quantitativa e a caracterização de insalubridade ocorrerá quando forem ultrapassados os limites de tolerância constantes do Quadro nº 1 do Anexo 11.

Anexo 12 – Limites de tolerância para poeiras minerais

Neste caso, a avaliação será quantitativa e a caracterização de insalubridade ocorrerá quando forem ultrapassados os limites de tolerância para as poeiras minerais (asbesto, manganês e seus compostos e sílica livre cristalizada) constantes no Anexo 12.

Anexo 13 – Agentes químicos

Este anexo traz a relação das atividades e operações envolvendo agentes químicos, consideradas insalubres em decorrência de inspeção realizada no local de trabalho. Porém, excluem-se desta relação às atividades ou operações com os agentes químicos constantes dos Anexos 11 e 12.

Com relação ao anexo 13, a avaliação será qualitativa e a caracterização de insalubridade ocorrerá pelo simples fato de estar presente no ambiente de trabalho, não possuindo limites de tolerância estabelecidos pela NR-15.

O anexo 13 (agentes químicos) estabelece 3 (três) graus (mínimo, médio e máximo) de insalubridade, conforme a relação das atividades ou operações com os agentes químicos constantes no anexo.

⇒ Leia também: Agentes Químicos – O que são e como preveni-los?

Como prevenir dos riscos químicos no ambiente de trabalho

Alguns riscos ambientais são fáceis de identificar, os irritantes, por exemplo, que tem efeito imediato após a exposição ou inalação. Outros são mais difíceis, como as substâncias químicas formadas acidentalmente cujas propriedades não estão devidamente descritas no rótulos da embalagem e nas especificações técnicas. Por isso, é importante identificar e classificar corretamente os riscos existentes no ambiente de trabalho.

Após identificar e avaliar um risco é necessário decidir quais intervenções e métodos são adequados para controlá-lo. Os métodos de controle são divididos em quatro categorias:

1. Controle de Engenharia: são medidas que eliminam ou reduzem a utilização ou a formação de agentes prejudiciais à saúde; previnem a liberação ou disseminação dos agentes no ambiente de trabalho e reduzem os níveis de concentração dos agentes:

  • Ventilação geral e localizada;
  • Isolamento (instalar barreira entre o trabalhador e o agente/fonte);
  • Substituição por materiais menos tóxicos, inflamáveis, etc;
  • Mudanças no processo com eliminação de estágios perigosos.

2. Equipamentos de Proteção Coletiva (EPC);
3. Controles Administrativos: Mudanças na maneira de executar o processo de trabalho, como, por exemplo, redução do tempo de trabalho em zona perigosa, rodízio de pessoal, criação de turnos, proibição de horas extras;
4. Equipamentos de Proteção Individual (EPI): É importante destacar que o EPI só é usado em situações nas quais os controles de engenharia e administrativos são insuficientes. Isoladamente o EPI não oferece proteção significativa aos trabalhadores.

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