O que é Estresse Ocupacional?

Há diversas patologias fisiológicas e psicológicas que têm o trabalho como fator desencadeante ou agravante. Dentre as mais comuns está o estresse, é muito frequente se deparar com pessoas que se consideram estressadas e na maioria das vezes, estas pessoas relacionam este estresse justamente ao trabalho.

A palavra estresse deriva-se do inglês stress, que significa pressão, tensão, desgaste. O conceito de estresse, portanto, consiste em resposta física e emocional frente a um estímulo abstrato ou concreto no ambiente externo.

Entende-se por estresse ocupacional, a desestabilização da forma de enfrentamento diante de aspectos intrínsecos do trabalho. Desestabilização refere-se à homeostase, que consiste no equilíbrio do funcionamento do ser humano incluindo as questões orgânicas e psíquicas, quando este equilíbrio é prejudicado, diversas reações são apresentadas.

Causas do Estresse Ocupacional

Sabe-se que há pessoas mais predispostas ao estresse, por isso um estilo de vida inadequado contribui com o estresse ocupacional, ou seja, quando o indivíduo não pratica atividade física, não se alimenta adequadamente, não possui uma vida social saudável e não tem momentos de lazer e relaxamento.

Veja abaixo quais são os principais estímulos estressores presentes no trabalho:

  • Segurança comprometida;
  • Pressão no trabalho;
  • Atividades repetitivas e de longa duração;
  • Ameaças, desrespeito, agressividade;
  • Assédio moral;
  • Longa jornada ou falta de horário de intervalo;
  • Ritmo acelerado de trabalho;
  • Insatisfação com o trabalho;
  • Escassez de material para execução da função;
  • Excesso de horas extras;
  • Atraso de pagamento, mas muita cobrança;
  • Estímulos ambientais inadequados (luminosidade, higiene, desconforto, poluição visual, barulho, etc).

Consequências ou sintomas do Estresse Ocupacional

As respostas ao estresse podem ser muito pessoais, porém há sintomas que são muito frequentes e praticamente unânimes na caracterização do estresse ocupacional.

Os sintomas se dividem em respostas psicológicas e respostas fisiológicas. As emocionais envolvem sensação de medo, preocupação, irritação, nervosismo, isolamento social, ansiedade, alteração no humor, prejuízos cognitivos como queda da atenção e concentração, entre outras.

As respostas físicas ao estresse ocupacional, por sua vez, envolvem dores de cabeça, dor e tensão muscular, fadiga, cansaço, problemas gastrointestinais, queda de cabelo, queda da imunidade, etc. Além do sofrimento decorrente dos sintomas, esta condição traz também algumas consequências negativas na vida da pessoa acometida.

As consequências psicossociais envolvem uma inclinação à dependência de substâncias psicoativas, como álcool e tabaco; despreocupação com o autocuidado, isto é, a pessoa passa a roer unhas, negligencia sua higiene e vaidade; desenvolvimento de transtornos psicológicos, como ansiedade generalizada, síndrome de Burnout, depressão, transtornos fóbicos, síndrome do pânico, etc.

Há ainda as consequências em termos fisiológicos, a saber: desenvolvimento de patologias no trato gastrointestinal, como gastrite, úlcera nervosa, inflamação intestinal, má digestão, refluxo; desenvolvimento de patologias cardiorrespiratórias; aquisição de alergias; vulnerabilidade à aquisição de doenças infecciosas; predisposição ao suicídio ou automutilação; desenvolvimento de doenças dermatológicas; etc.

Como prevenir o Estresse Ocupacional

Assim como as demais doenças relacionadas ao trabalho, o estresse ocupacional também pode ser prevenido através de ações que os gestores podem adotar. Dentre estas ações está o investimento em um clima organizacional favorável, que proporciona um ambiente com menos fatores estressores e promove maior satisfação no colaborador.

Além disso, investir em ergonomia, ginástica laboral, palestras; organizar a forma de pagamento, evitando atrasos e faltantes; investir em treinamento de liderança, adotar formas adequadas de comunicação, relacionamento, reconhecimento e recompensas.

Para que estas ações sejam eficazes, é recomendável que uma equipe profissional especializada faça os diagnósticos e as intervenções necessárias, isto é, firmar parceria com engenheiros e técnicos de segurança do trabalho, enfermeiros do trabalho, psicólogos organizacionais, médicos do trabalho, fisioterapeutas, educadores físicos e administradores.

⇒ Leia também: Como Evitar o Estresse no Trabalho.

Como tratar o Estresse Ocupacional

O estresse ocupacional é uma agravante séria que compromete o estado de saúde do colaborador, por isso, o tratamento do estresse no trabalho inclui a adequação do ambiente de trabalho, o tratamento do estresse e o tratamento das consequências decorrentes do estresse.

O tratamento psicológico do estresse contribui com técnicas de relaxamento e respiração diafragmática, além disso, é através da psicoterapia que as queixas emocionais são revisitadas, tornando possível o autocontrole emocional, o autoconhecimento, a compreensão dos pensamentos e sentimentos e por fim, os casos de depressão e outros transtornos psicológicos também são tratados neste segmento.

Há casos que exigem o tratamento medicamentoso, este inclui a administração de psicofármacos, como antidepressivos ou ansiolíticos em alguns casos, bem como a administração de analgésicos, antibióticos e relaxantes musculares nos casos em que há consequências patológicas advindas da condição de estresse. A medicação deve ser prescrita por um médico e deve ser conforme cada quadro clínico.

Segurança do Trabalho X Estresse Ocupacional

A segurança do trabalho envolve ações de prevenção contra acidentes e doenças ocupacionais, para isso, os gestores devem buscar melhorar as condições de trabalho em termos de ambiente físico, comportamental e social da organização.

O estresse ocupacional se relaciona com a segurança do trabalho quando esta é uma necessidade não atendida, isto é, o colaborador pode desenvolver estresse quando não sente a sua saúde e integridade preservada. Outro aspecto relacional é no que tange às condições inadequadas, vimos que o ambiente pode possuir estímulos estressores e para evitar isso, os gestores devem investir em segurança do trabalho através da ergonomia.

Portanto, quando a empresa se preocupa com a saúde e a segurança do trabalho e adota medidas de segurança em todos os aspectos, não se previne apenas o estresse ocupacional, mas também uma vastidão de possíveis doenças que poderiam ser ocasionadas.

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